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Inspiração em Florença e artista sepultado em parede: igreja da Boa Morte, em Piracicaba completa 100 anos

Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção Reprodução/Google Maps Um templo que pode ser visto de diferentes pontos de Piracicaba (SP) completa 100 anos n...

Inspiração em Florença e artista sepultado em parede: igreja da Boa Morte, em Piracicaba completa 100 anos
Inspiração em Florença e artista sepultado em parede: igreja da Boa Morte, em Piracicaba completa 100 anos (Foto: Reprodução)

Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção Reprodução/Google Maps Um templo que pode ser visto de diferentes pontos de Piracicaba (SP) completa 100 anos neste sábado (15). Foi nessa data, em 1926, que a construção do atual prédio da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção foi concluída após 35 anos de obras. Mas a história dessa igreja é muito mais antiga do que sua construção centenária. De acordo com a paróquia, a atual construção completa um século, mas a trajetória começou 82 anos antes, com a idealização de Miguelzinho Dutra, que está sepultado no interior da igreja — conheça a história abaixo. ✅ Clique para o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp O prédio foi tombado como patrimônio histórico e cultural de Piracicaba em 29 de janeiro de 2004, quase oito décadas depois da conclusão. Segundo o Condepac, o imóvel possui nível de proteção P1, considerado o grau máximo de preservação. 🔎 A preservação está relacionada à importância do prédio como referência de fé e educação para a cidade, à antiguidade e à presença dos restos mortais de Miguelzinho Dutra, construtor da igreja primitiva. O local também guarda a memória do antigo cemitério da Irmandade da Boa Morte. Para celebrar os 100 anos, está prevista uma Missa Solene no domingo (16), às 10h, presidida pelo arcebispo Dom Antônio Emídio Vilar. A cerimônia terá ainda apresentação do Coro Sacro pela Camerata Paulista. 👀 O que você vai ver nessa reportagem? Primeira capela recebeu doação de Dom Pedro II Como incêndio alterou os rumos da história Cúpula foi inspirada em Florença Onde estão os restos mortais de Miguelzinho Dutra? Afinal, Boa Morte ou Assunção? Quem cuida da igreja Agora no g1 Primeira capela recebeu doação de Dom Pedro II Miguel Arcanjo Benício Dutra, o Miguelzinho Dutra, nasceu em Itu (SP) e viveu parte da vida em Piracicaba (SP). Além de arquiteto e pintor, ele também era reconhecido como entalhador, trabalho artesanal de esculpir e ornamentar a madeira. Foi ele quem idealizou e construiu a primeira capela que deu origem ao complexo religioso, ainda no século XIX. Em 1851, também fundou a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, responsável pelo primeiro centro religioso construído no local entre 1853 e 1855. A importância da igreja chegou até mesmo à Corte. Em 1864, Miguelzinho Dutra esteve no Rio de Janeiro (RJ) e foi recebido pelo imperador Dom Pedro II, que doou 100 mil réis para auxiliar nas obras e na manutenção da igreja. Como incêndio alterou os rumos da história Segundo o acervo do Condepac, a construção ficou abandonada por alguns anos. A construção era vizinha do Colégio Nossa Senhora da Assunção e de um cemitério ligado à Irmandade da Boa Morte. Mas, um incêndio mudou o destino do complexo em 25 de janeiro de 1891. As chamas destruíram o colégio e parte da igreja, e deram início ao processo que levaria à reconstrução do conjunto e à construção que durou 35 anos. Para a reconstrução do colégio e da igreja, as Irmãs de São José de Chambéry contrataram o arquiteto italiano Alberto Borelli. Classificado como eclético com características neorrenascentistas, por causa dele a construção reúne elementos inspirados no Renascimento e no Barroco. Cúpula foi inspirada em igreja italiana Igreja Santa Maria del Fiore, em Florença José Nascimento/Acervo Pessoal Conforme o acervo Condepac, a cúpula foi inspirada na Igreja Santa Maria del Fiore, em Florença, um dos marcos da arquitetura do Renascimento italiano. Elas foram construídas muitos anos após o início das obras, por Paulo Pecorari e seu sócio, Romanini. Durante os trabalhos, Romanini morreu ao cair de um andaime. Os detalhes da fachada principal também seguem referências renascentistas. O prédio reúne nichos, óculos, janelas em arcos plenos, molduras e ordens de colunas, utilizados de maneira livre, sem a rigidez característica do Classicismo antigo. Embora tenha elementos de diferentes períodos, o edifício é classificado como Neorrenascentista, por sua inspiração no repertório do Renascimento italiano. Onde estão os restos mortais de Miguelzinho Dutra? Placa em homenagem ao Miguel Arcanjo Benício Assunção Dutra, artista sepultado em igreja de Piracicaba Igreja Nossa Senhora da Assunção/Divulgação De acordo com a paróquia, os restos mortais de Miguel Arcanjo Benício Dutra, o Miguelzinho Dutra, não ficam expostos no interior da igreja. Eles estão sepultados dentro da parede dos fundos do templo, conforme uma prática funerária comum à época. No local, há uma placa que identifica o sepultamento e apresenta informações sobre o artista, indicando que seus restos mortais estão ali. A identificação permanece na parede da igreja e ajuda a preservar a memória do homem que esteve ligado à origem do primeiro templo construído no local. Afinal, Boa Morte ou Assunção? De acordo com a paróquia, a igreja incialmente era ligada à Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte. Por isso, o primeiro templo era conhecido como Igreja da Boa Morte. Após o incêndio de 1891 e a reconstrução do colégio e da igreja, o templo passou a ser chamado de Igreja Nossa Senhora da Assunção, em referência ao Colégio Nossa Senhora da Assunção, que já funcionava ao lado. No entanto, documentos de patrimônio do município utilizam a denominação Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção. Quem cuida da igreja? Altar da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção, em Piracicaba Igreja Nossa Senhora da Assunção/Divulgação A igreja fica dentro do complexo do Colégio Dom Bosco-Assunção, administrado pelos Salesianos de Dom Bosco, congregação religiosa de origem italiana. Atualmente, a igreja é aberta ao público aos domingos, para a celebração da missa das 10h. As Irmãs de São José de Chambéry foram responsáveis pelo colégio e tiveram participação na reconstrução do conjunto. No final de 1988, com a saída das irmãs, a administração do complexo passou aos Salesianos. A presença salesiana também deixou sua marca nos sinos do templo. Eles foram restaurados e automatizados e, atualmente, tocam diariamente ao meio-dia e às 18h. Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção em Piracicaba Igreja Nossa Senhora da Assunção/Divulgação VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.

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