Entenda por que o combate ao crack vai além da polícia e se existe solução rápida; socióloga explica os desafios
Socióloga fala sobre o combate ao crack vai além da polícia e se existe solução rápida O enfrentamento ao consumo de crack exige muito mais do que ações...
Socióloga fala sobre o combate ao crack vai além da polícia e se existe solução rápida O enfrentamento ao consumo de crack exige muito mais do que ações policiais e envolve um problema socioestrutural, o que significa que não existe uma solução rápida. Essa é a avaliação da socióloga e especialista em vulnerabilidades sociais Lidiane Maciel, uma das entrevistadas da segunda reportagem da série especial da TV Vanguarda sobre o consumo da droga. A primeira matéria falou sobre por que o crack causa dependência tão rapidamente, na visão de uma psicóloga especialista em saúde mental e dependência química. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp No g1, você confere a entrevista completa da especialista, que explica por que o combate ao crack vai além da atuação policial e quais são os principais desafios para enfrentar o problema. Veja as perguntas e respostas abaixo. No fim da reportagem, veja também as manifestações na íntegra da Prefeitura de São José dos Campos, do Ministério da Justiça e da Polícia Militar sobre o tema. O problema das drogas vai além do usuário? Onde estão os maiores desafios para combater o crack? O consumo de drogas está concentrado apenas entre pessoas em situação de vulnerabilidade? Se o consumo acontece em locais públicos, por que parece que nada é feito? Por que as pessoas entram no mundo das drogas? Existe uma solução rápida para o problema? Equipe da TV Vanguarda registrou flagrantes de pessoas usando crack em diferentes pontos de São José dos Campos (SP) Reprodução/TV Vanguarda 1 - O problema das drogas vai além do usuário? Sim, é um problema socioestrutural. Na sociologia, trabalhamos dessa forma. Isso significa que envolve diferentes instâncias sociais. Quando eu falo do indivíduo, eu pouco lembro da estrutura econômica, das políticas públicas e da estrutura que mantém os indivíduos de pé. O problema de drogas é muito maior do que o usuário. A gente tende a olhar sempre para o usuário, tentando atingi-lo, mas existe uma estrutura toda por trás disso. Voltar ao início. 2 - Onde estão os maiores desafios para combater o crack? O desafio é construir uma rede integrada de atendimento. Isso envolve educação, assistência social, saúde e segurança pública. É preciso impedir que as pessoas se tornem usuárias, mas também oferecer recuperação para quem já está em situação de dependência química. A saúde mental é fundamental nesse processo. Precisamos pensar em indivíduos saudáveis e em políticas públicas que dialoguem entre si. Voltar ao início. 3 - O consumo de drogas está concentrado apenas entre pessoas em situação de vulnerabilidade? Não. Esse é um estigma que vem sendo quebrado. Hoje sabemos que o uso de drogas está presente em diferentes classes sociais. A diferença é que os impactos costumam ser maiores para pessoas em situação de vulnerabilidade, principalmente porque elas têm menos acesso ao tratamento. Já pessoas de maior renda conseguem esconder o problema com mais facilidade, muitas vezes recorrendo a clínicas particulares. Voltar ao inicio. Lidiane Maciel, socióloga e especialista em vulnerabilidades sociais, defende que o combate ao crack exige ações integradas. Reprodução/TV Vanguarda 4 - Se o consumo acontece em locais públicos, por que parece que nada é feito? Eu não acho que exista uma inércia. Temos um problema de criminalização do usuário de drogas. Os serviços de segurança atuam, mas há uma popularização do uso. Também precisamos considerar que São José dos Campos está em uma região de intenso fluxo de pessoas, entre São Paulo e Rio de Janeiro. Isso torna o controle do problema ainda mais desafiador. Voltar ao início. 5 - Por que as pessoas entram no mundo das drogas? Essa é uma pergunta complexa. Em momentos de instabilidade financeira, emocional e social, muitas pessoas buscam formas de fugir da realidade. Tanto drogas lícitas quanto ilícitas acabam oferecendo essa sensação temporária de suspensão dos problemas. Vivemos em uma época de vínculos sociais mais frágeis, dificuldades emocionais e instabilidade econômica, fatores que ajudam a explicar esse cenário. Voltar ao início. 6 - Existe uma solução rápida para o problema? Lidiane Maciel: Não. É um caminho longo, que envolve diferentes profissionais e diferentes áreas do poder público. Precisamos entender o debate sobre o uso de drogas como algo coletivo e complexo. Não existe uma solução rápida, imediata ou pontual. O enfrentamento depende da integração entre segurança pública, saúde, educação, assistência social e da participação da sociedade civil. Voltar ao início. Veja a nota na íntegra do Ministério da Justiça: No âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) atua no fortalecimento de estratégias de prevenção ampliada, acesso a direitos, inclusão e reinserção social. A atuação parte do entendimento de que contextos de uso problemático de álcool e outras drogas exigem respostas intersetoriais, articulando segurança pública cidadã, saúde, assistência social, educação, justiça e trabalho. Entre as principais iniciativas está a Rede CAIS (Centros de Acesso a Direitos e Inclusão Social), estratégia nacional que promove a articulação entre diferentes políticas públicas para ampliar o acesso a direitos, reduzir vulnerabilidades e fortalecer fatores de proteção nos territórios. A Rede contempla modalidades voltadas à população em situação de rua, como o CAIS/PAR (Pontos de Apoio à Rua), além da integração com os Centros POP do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e de ações voltadas à inclusão produtiva, juventudes, povos indígenas, universidades, poder público e organizações da sociedade civil. As ações desenvolvidas pela Senad dialogam com os objetivos do Plano Ruas Visíveis, iniciativa interministerial do Governo Federal voltada à ampliação do acesso a direitos e à inclusão social da população em situação de rua, contribuindo para respostas integradas em contextos de alta vulnerabilidade. A Senad também acompanha a produção de evidências científicas sobre o consumo de substâncias psicoativas no Brasil, que subsidiam o aperfeiçoamento das políticas públicas de prevenção, cuidado e inclusão social. Veja a nota na íntegra da Prefeitura de São José dos Campos A Prefeitura de São José dos Campos informa que por meio do Programa São José Unida, todas as forças de segurança que atuam em São José dos Campos, possuem acesso irrestrito às imagens das 1.186 câmeras do CSI (Centro de Segurança e Inteligência) para utilizar nas investigações de tráfico de drogas e ações preventivas de consumo de entorpecentes na cidade. Nas unidades das instituições de segurança existem mini-centrais (equipamentos) que também monitoram a cidade em tempo real, 24 horas por dia, com acesso às tecnologias das câmeras de reconhecimento facial, leitura de placas e detecção de movimento de objetos e pessoas. Veja a nota na íntegra da Polícia Militar 46º batalhão O 46º Batalhão de Polícia Militar do Interior (46º BPM/I) atua de forma permanente no combate ao tráfico de drogas em sua área de responsabilidade em São José dos Campos, empregando o policiamento ostensivo, operações de saturação, ações de inteligência e análise criminal para direcionar o emprego do efetivo às regiões com maior incidência de ocorrências. Os resultados obtidos pelo 46º BPM/I no primeiro semestre de 2026 demonstram o fortalecimento dessas ações. Em comparação com o mesmo período de 2025, houve aumento de 216% na quantidade total de entorpecentes apreendidos, com destaque para as apreensões de crack, que cresceram 523%, além de aumentos de 313% nas apreensões de maconha e 104% nas apreensões de cocaína. No mesmo período, as prisões efetuadas aumentaram 23%. Com base na análise dos flagrantes de tráfico registrados na área de atuação do 46º BPM/I durante o primeiro semestre de 2026, as regiões que concentraram o maior número de ocorrências foram Campo dos Alemães (60 flagrantes), Conjunto Habitacional Elmano Veloso (20), Jardim São Judas Tadeu (20), Jardim Nova Detroit (15) e Conjunto Habitacional Dom Pedro II (13). O 46º BPM/I ressalta que o combate ao tráfico de drogas é realizado de forma contínua e dinâmica, com o emprego de operações específicas, patrulhamento ostensivo e ações integradas com os demais órgãos de segurança pública, buscando reduzir a criminalidade e aumentar a sensação de segurança da população em sua área de atuação. 1º batalhão A Polícia Militar informa que realiza diariamente o policiamento ostensivo e preventivo em toda a área de atuação do 1º BPM/I, por meio de suas diversas modalidades operacionais, com emprego planejado do efetivo e reforço em áreas estratégicas, conforme análise criminal e operacional. O combate à criminalidade, ao tráfico de drogas, é realizado com afinco diuturnamente pelas equipes policiais, tendo apresentado resultados expressivos ao longo de 2026 na área do 1º BPM/I. De janeiro a junho foram apreendidos 67,4 kg de drogas e registrados 86 flagrantes de tráfico de drogas em bairros da Zona Norte, Zona Leste, Zona Oeste e região central de São José dos Campos. A Policia Militar segue firme com o objetivo de prevenir todos os crimes, combater o tráfico de drogas, preservar a ordem pública e ampliar a segurança da população. As ações desenvolvidas pela Polícia Militar permanecem sendo executadas de forma contínua e integrada, com base em critérios técnicos e operacionais. A Polícia Militar ressalta que a colaboração da população é essencial para o enfrentamento da criminalidade. Informações e denúncias podem ser realizadas de forma anônima por meio do Disque Denúncia 181. Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente o telefone 190. Flagrantes feitos pela equipe da TV Vanguarda mostram usuários de crack em diferentes regiões de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Reprodução/TV Vanguarda Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina