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Câmara deve votar projeto que transforma vagas para carros em áreas verdes em ruas de SP

Vaga verde instalada na Rua Santo Antônio, na Bela Vista, Centro de São Paulo Leonardo Zvarick/g1 A Câmara Municipal de São Paulo votará em breve um projet...

Câmara deve votar projeto que transforma vagas para carros em áreas verdes em ruas de SP
Câmara deve votar projeto que transforma vagas para carros em áreas verdes em ruas de SP (Foto: Reprodução)

Vaga verde instalada na Rua Santo Antônio, na Bela Vista, Centro de São Paulo Leonardo Zvarick/g1 A Câmara Municipal de São Paulo votará em breve um projeto de lei que prevê a substituição de vagas de carros nas ruas por canteiros com árvores. Pela proposta, já aprovada em primeiro turno, quadras que permitem o estacionamento de veículos poderão ter até 20% de sua extensão transformada em "vaga verde". A ideia é que os canteiros sejam projetados para reduzir a velocidade de escoamento e melhorar a absorção de água da chuva. As vagas verdes terão comprimento mínimo de 5 metros e poderão ser agrupadas gradualmente até o limite máximo – segundo o projeto, a continuidade é preferível e traz vantagens ambientais. O projeto ainda sugere que venham acompanhadas de mesas e bancos e sejam instaladas perto de cruzamentos, para melhorar as condições de travessia para pedestres. Um teste já foi implementado em janeiro na Rua Santo Antônio, na Bela Vista, Centro da capital. Uma muda de jacarandá mimoso, espécie sul americana com flores arroxeadas, foi plantada num canteiro de aproximadamente 2 metros de largura – equivalente a uma vaga de moto – e funcionários e moradores de um prédio se tornaram responsáveis pela jardinagem. Falta de padronização na arborização urbana na Cidade de SP "Ficou melhor para os moradores e para o comércio que tem aqui do lado. Antes, quando era guia normal, sempre tinha carro abandonado", conta o zelador Paulo Antônio Silva, que trabalha naquele endereço há 20 anos e levou novas plantas ao canteiro para aumentar o verde da área. A diarista Valéria Pereira, de 60 anos, que mora na calçada da frente, acredita que o modelo pode solucionar um problema antigo do bairro: a falta de espaço para plantio de árvores. Eu acho uma maravilha ter árvores na rua de casa, principalmente quando tá aquele solão. E, desse jeito, ficou muito bom porque não atrapalha a passagem. Nascida no bairro, ela conta que novas árvores nem sempre agradam a vizinhança, que reclama da perda de espaço e calçadas quebradas depois que elas crescem. Como exemplo, apontou para canteiros abertos a poucos metros da casa onde mora, onde duas mudas plantadas recentemente tiveram os troncos quebrados – ela não soube dizer por quem. Mudas plantadas recentemente na Rua Santo Antônio tiveram troncos quebrados Leonardo Zvarick/g1 Votação Pelo projeto aprovado em junho do ano passado, ruas com calçadas estreitas, onde o plantio de árvores comprometeria a circulação de pedestres, estarão entre os locais preferenciais para a instalação de vagas verdes. O texto também indica bairros com maior concentração de ilhas de calor e áreas sujeitas a enchentes entre as prioridades. A proposta permite que moradores interessados em colocar uma vaga verde em sua quadra poderá fazer uma solicitação ao órgão responsável, assumindo a responsabilidade pela jardinagem e comunicação de ocorrências ao poder público. O texto ainda prevê a possibilidade de convênios com entidades. A implantação das vagas também servirá como forma de compensação ambiental para empreendedores que receberam autorização para cortar árvores por meio de Termo de Compromisso Ambiental (TCA). Rua Santo Antônio, na Bela Vista, tem calçadas quebradas por raízes de árvores Leonardo Zvarick/g1 Para a vereadora Renata Falzoni (PSB), que assina o projeto com Nabil Bonduki (PT) e Marina Bragante (PSB), esse é um dos pontos centrais do texto, pois cria mecanismos para o município reduzir o estoque de mudas sem área de plantio. "Desse processo de dívida de incorporadoras, nós temos 459 mil árvores que precisam ser plantadas na cidade só das compensações ambientais", justifica. Segundo ela, o projeto de lei não impõe obrigações ao Poder Executivo, mas cria ferramentais legais para que a política pública seja implementada de forma colaborativa. "A gente instrumentaliza essa forma de rearborização da cidade com um efeito colateral maravilhoso, que é você ampliar calçada e lugares de estar da população, e eventualmente propor menos espaços públicos privatizados para os automóveis e mais espaços públicos mesmo", acrescentou a vereadora, apontando Paris como exemplo de grande cidade que conseguiu reduzir a temperatura média de sua área central a partir de estratégia similar. Um novo texto deverá ser apresentado pelo Executivo para ser votado em segundo turno, mas não deve trazer mudanças significativas. O projeto estava previsto na pauta da semana passada. Porém, não havia quórum suficiente para a votação. Modelo de vaga verde com jardim de chuva instalado na rua Pires da Mota, na Aclimação Leonardo Zvarick/g1 A Prefeitura de São Paulo já tem programas similares em andamento. Um deles, sob responsabilidade da Secretaria Municipal das Subprefeituras (Smsub) desde 2021, já instalou 37 vagas verdes incorporadas a jardins de chuva, com plantas com raízes profundas que ajudam na filtragem de poluentes, melhorando a qualidade da água que chega aos rios e córregos. Segundo a prefeitura, elas "funcionam como reservatórios para o excesso de água pluvial, favorecendo sua infiltração no solo e contribuído para a recarga do lençol freático". O outro modelo, implantado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) desde 2020, permite plantio de árvores convencionais em áreas de estacionamento de veículos. A gestão municipal considera as intervenções como pontuais, segundo nota enviada à reportagem. A cidade tem 56 vagas verdes do tipo de acordo com a prefeitura.

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